22 fev, 2015 - Roderick Long -

Prisioneiros da Hélice?3 minutos de leitura

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por Roderick Long

[Este artigo foi publicado para praxeology.net em agosto de 2004. Tradução de Uriel Alexis Farizeli Fiori. Revisão e edição de Giácomo de Pellegrini.]

Eu argumentei anteriormente (vide meu post Escape Desses Genes) que teorias sociobiológicas no sentido de que certos padrões de ação são geneticamente determinados são autodestrutivas porque são inconsistentes com o livre arbítrio.

Uma série de leitores me perguntou se minha posição é consistente com a determinação genética de preferências (ao contrário de ações). Bem, depende. No caso de preferências praxeológicas – isto é, aquelas preferências que estão incorporadas na ação – então obviamente a resposta deve ser não, uma vez que se as ações não são determinadas, tampouco o são seus constituintes lógicos.

E o que dizer sobre preferências psicológicas ou timológicas – isto é, aqueles desejos e impulsos sobre os quais se pode ou não agir? Aqui as coisas ficam mais complicadas.

Para wittgensteinianos como eu, a conexão entre ter tais desejos e agir sobre eles, embora menos direta e necessária do que no caso das preferências praxeológicas (Wittgenstein a chamaria de uma “articulação frouxa”), ainda é conceitual em vez de meramente causal. Em suma, a possessão de um dado desejo não é logicamente compatível com todos e quaisquer padrões de ação, mas apenas com alguns. Consequentemente nós podemos influenciar quais desejos nós contamos como tendo, na medida em que nós livremente determinamos quais padrões de ação nós instanciamos.

Segue-se que a habituação – o fato de que “o uso quase pode mudar o selo da natureza” ao tornar ações mais fáceis através da repetição – não é nenhum mero dado empírico, mas uma característica logicamente necessária de todo livre arbítrio. Também se segue que a medida em que dotes genéticos restringem os destinos das pessoas é severamente limitada. (Para uma defesa da alegação de que nós temos mais controle sobre nossos “impulsos inatos” do que poderíamos parecer ter, vide a clássica monografia de Sartre, The Emotions: Outline of a Theory.)

Mas e sobre os casos em que gêmeos idênticos, separados no nascimento, ao se encontrarem anos mais tarde descobrem que eles se vestem parecidos, têm gostos similares, escolheram carreiras similares, etc? Isto não mostra que as preferências das pessoas são geneticamente determinadas? (Claro, nenhum dado empírico pode literalmente refutar um teorema praxeológico a priori – mas tais dados podem sempre legitimamente nos levar a verificar se havíamos raciocinado corretamente.)

Na verdade não é nenhuma surpresa que tais casos ocorram. Eu já concedi anteriormente que nossos genes podem determinar com que padrão de atividade nós temos probabilidade de começar; se agentes geneticamente similares frequentemente acabam perseguindo padrões de atividade, tudo isso mostra que a maioria das pessoas segue o caminho de menor resistência. E já sabíamos disso! Influências genéticas, assim como influências ambientais, são tão poderosas quanto permitamos que sejam – e a maioria das pessoas é preguiçosa demais para resistir. (Por preguiça eu quero dizer, claro, um padrão escolhido de atividade, não uma predisposição genética.)

Eu tenho falado sobre preferências, não habilidades. Nada do que eu disse elimina a possibilidade de um papel da genética em determinar habilidades inatas. Mesmo aqui, no entanto, devemos ser cuidadosos, pois muitas coisas que se parecem com habilidade têm componentes baseados na preferência. Por exemplo, muito (embora, não tudo) do que chamamos de “inteligente” é uma questão de ao que prestamos atenção, que por sua vez é parcialmente uma questão de habilidade, mas parcialmente uma questão de desejo e vontade.

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