16 jun, 2015 - Roderick Long -

Liberdade e as Empresas3 minutos de leitura

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por Roderick Long

[Esta consideração foi publicada para praxeology.net em dezembro de 2005. Tradução, revisão e edição de Giácomo de Pellegrini.]

Como as empresas seriam numa sociedade livre?

Libertários “capitalistas”, muitas vezes, tendem a assumir que elas seriam muito próximas as empresas hierárquicas e de grande escala que existem hoje. Libertários “socialistas”, muitas vezes, tendem a assumir que elas seriam como cooperativas de trabalhadores e de pequena escala.

Para resolver esta questão, vamos considerar para qual função uma empresa serve. Como Ronald Coase famosamente salientou em The Nature of the Firm, uma das principais vantagens da organização de uma empresa é reduzir os custos de transação. Esta, por sua vez, cria um incentivo para que as empresas cresçam em tamanho; quanto mais operações se faz na própria empresa em vez de depender de fornecedores externos, mais esses custos de transação são reduzidos. (Economias de escala são um fator adicional de crescimento). A necessidade de reduzir os custos de transação também cria um incentivo para que as empresas se tornem mais hierárquicas; Quando o poder de decisão está concentrado nas mãos de gerentes, são evitados os custos associados na construção de consenso. (Organização hierárquica permite também que empresários bem sucedidos exerçam seus talentos sem obstáculos).

Se esta fosse a história toda, nós esperaríamos ver mais e maiores empresas hierárquicas prevalecendo consistentemente. Mas há um trade-off; quanto maior e mais hierárquica é uma empresa, maior será seu problema de cálculo interno; em algum momento os custos começam a superar os benefícios.

Então, que tamanho e grau de hierarquia são ideais? Não finjo saber; Eu acho que varia de acordo com cada ramo de atividade, e que também depende de uma série de outros fatores específicos para cada situação. Mas em um mercado livre, empresas seriam recompensadas caso se aproximassem de uma situação ideal e penalizadas caso desviassem.

No entanto, não temos um mercado livre; em vez disso, temos um mercado altamente regulamentado. Por razões conhecidas, tais regulamentações dificultam os menos influentes ao contrário das empresas mais influentes e bem sucedidas. Com isso, as empresas novas ou menos influentes tenderão a ser menos competitivas do que empresas já estabelecidas, impossibilitando assim, uma dinâmica sadia em busca de eficiência. E como Kevin Carson aponta, a padronização regulatória também diminui a concorrência entre as empresas de sucesso – promovendo uma forma de cartelização. Regulamentação estatal, portanto, reduz os custos associados com o tamanho e a hierarquia mais do que reduz os benefícios associados; é lógico, então, que poderíamos esperar que as empresas em um contexto de livre mercado genuíno seriam menores e menos hierárquicas do que elas são hoje. Isso é duplamente verdadeiro quando se leva em conta o aumento da concorrência por trabalhadores que se veria numa economia menos regulada (assumindo que os trabalhadores geralmente prefiram ambientes de trabalho menos hierárquicos).

Então, quão diferente as empresas estariam sob um verdadeiro livre mercado? Para responder a essa pergunta, teríamos que ser capazes de classificarmos quais aspectos da economia hoje derivam principalmente do mercado e quais derivam principalmente da regulamentação, e isso não é uma tarefa fácil. Então, sinto-me confiante sobre o fato de que teríamos uma direção diferente, mas não sobre o grau. E em qualquer caso, o grau depende em parte do que os trabalhadores estão dispostos a aturar – que é uma variável, não é uma constante (e uma das funções de um movimento trabalhista é precisamente a influência dessa variável).

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