16 maio, 2015 - Roderick Long -

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por Roderick Long

[Este artigo foi publicado para Austro Athenian Empire em dezembro de 2005. Tradução de Antônio Augusto Abello. Revisão e edição de Giácomo de Pellegrini]

Na contracapa de cada edição da revista Liberty tem uma sessão chamada Terra Incognita, que consiste de recortes de jornal horrorosos ou bestas, ou os dois. Então eu devo assumir que alguém na Liberty achou o seguinte item besta ou horroroso, uma vez que ele é o terceiro em destaque da Terra Incognita da última (janeiro de 2006) edição da Liberty:

Port Towsend, Wash

Uma breve olhada nos objetivos de um movimento de paz dos tempos modernos, no “estatuto cultural” do PTforPeace:

“Saber que todos temos internalizados a violência, o patriarcado, a supremacia branca e alienação tão prevalecentes na nossa sociedade. Saber que o desmantelamento desses sistemas de opressão envolve tornar-se consciente de onde eles se escondem nas nossa próprias mentes, e que os padrões de opressão do dia a dia são a cola que sustenta sistemas de opressão. Cultivar gratidão à pessoa que nos mostra onde podemos ter internalizado opressão sem estarmos cientes disto.”

O que exatamente isso está fazendo no “arquivo negro” da Liberty? O que está sendo dito parece para mim não somente algo importante e verdadeiro, como algo que libertários em particular costumavam se especializar em apontar. A troça de tais insigths por uma das principais publicações libertárias é um lamentável abandono do legado radical dos nossos antepassados libertários.

Meu objetivo não é criticar a Liberty em particular; ela é uma das minhas revistas favoritas, e essa falha em particular é meramente sintomática de um problema mais geral no movimento libertário. Um problema que poderia ser chamado de “reflexo anti-esquerdismo” ou, em outras palavras, a resposta automaticamente negativa a certos questionamentos (pelo menos quando esses questionamentos não são aplicações óbvias do princípio libertário, como legalização das drogas) meramente por estes serem tipicamente preocupação da esquerda.

A infecção do reflexo anti-esquerdismo – a dívida herdada pela aliança de longa data de libertários com conservadores, contra a genuína ameaça do socialismo de Estado – toma diferentes formas em diferentes setores do movimento libertário: vista-grossa com corporativismo aqui, vista-grossa com militarismo ali, vista-grossa com chauvinismo branco-macho-hétero em algum outro lugar (com cada setor bem rápido para denunciar o tipo de desvio adotado por outro setor, mas bem menos perspicaz para reconhecer seu próprio). Um objetivo crucial do libertarianismo de esquerda, como eu o vejo, é ajudar o libertarianismo a recuperar suas raízes pré-conservadoras.

Hoje eu suspeito que o libertário médio lê ou ouve palavras como aquelas do estatuto do PTforPeace citado acima e rapidamente forma uma imagem mental de quem as falaria – um esquerdista estridente, presunçoso e provavelmente carregando visões desesperadoramente estatistas sobre todo tipo de problemas. Mas mesmo supondo que o estereótipo é uma descrição precisa, e daí? A inferência é puro ad hominem. E se libertários podem reconhecer insights valiosos quando os acham no trabalho de John Calhoun – um homem brilhante, mas um defensor da, ops!, escravidão – convidar eles para ser igualmente abertos aos insigths de esquerdistas presunçosos não parece muito a se pedir.

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